correspondência incompleta

domingo, outubro 12, 2003


Baby Blue,

Cheguei quase agora do Largura. RR mandou eu dormir senão amanhã "eu não aguento", mas não tem jeito, não durmo antes das 3. Peguei o Ítalo pra finalmente terminar, ele ta quase virando piada. Mas sim, vamos ao que interessa: as futilidades.
Pois bem, descobri que o Chris que aparece nas cartas e até em A Teus Pés (é nele mesmo? não to lembrando agora) foi pego pela Ana transando com a mulher que alugava o apê pra ela. Isso tudo na Inglaterra. Daí o Ítalo fica brincando, porque diziam que a Ana até pensou em casar com o Chris, "Ana quis alguma vez casar-se? Mas então ela não era devota de Emily Dickinson? Sim, ela era devota da Emília, a santa maior de seu panteão todo de mulher". A enquete é, por que diabos não se pode falar que a Ana era gay? O Ítalo vive deixando pistas, afetadíssimo como é. às vezes é engraçado, mas na maioria das vezes é uma chatice. Tudo bem, que é um saco isso de ficar só falando da vida pessoal, mas ah, se é pra fofocar, conta logo tudo ué. E o Ítalo é uma bicha fofoqueira mesmo, olha só o que ele fica falando "Ana acreditava estar vivendo uma situação de 'felicidade' com Chris. No entanto, era completamente imaginária aquela paz das sensações. Se foi preciso viver o choque do flagra para deixar de investir na fantasia do casamento e portanto da ilusão de que a sua vida pudesse se 'endireitar' num sentido estreito e convencional, a verdade é que, pelo menos no texto de Luvas de Pelica, escrito paralelamente a tradução de Bliss e ao namoro com Chris, o que existe é a expressão clara das ambiguidades e das hesitações da narradora diante do desejo masculino". Sim, sim, sim! Ele fala exatamente isso "de que sua vida pudesse 'endireitar' num sentido estreito"! Como assim né? do tipo - querido, ela-frequentava-o-teu-divã?.

Mudando de pão pra durex (sim, influencias de rr), comecei a pensar em novos escritores e blogs e essa coisa de literatura-virtual. Porque assim, hoje em dia o que acontece comigo (não sei se é regra, ou se pelo menos acontece com um grupo significativo de pessoas), é que tudo que escrevo vai pro blog, e minha 'gaveta' acaba se transformando nos arquivos do blog. Aí fiquei pensando, será que não vai mais existir as glamurosas gavetas de escritor? Ou melhor, será que vão se transformar em arquivos de blogs? Agora, se por acaso houver uma relação mesmo, onde é que vai parar aquela coisa do inédito? Porque no log, mesmo tando no arquivo, é publico. Já foi publicado. Daí lembrei do Baudrillard falando numa espécie de superação da sociedade do espetáculo, já que espetáculo supunha a diferença entre cena e platéia. Falava que na sociedade da informação, nãoo há mais cena, a sociedade tornou-se literalmente obscena, pois tudo é transparência e visibilidade imediata. A obscenidade tradicional era o reino do oculto, do reprimido; hoje é a total visibilidade do que não tem mais segredo. Não sei se faz sentido os links. Não sei se to fazendo sentido. Tu entendeu? Concorda?

E as notícias. Bem, tudo anda certinho. Relacionamento caminhando (and im soooo scared!), curso pra começar, lendo um bando de livros ao mesmo tempo (dei pra fazer isso agora, pode?)... lendo a Doris Lessing, o Mário querido, Amar Verbo Intransitivo (ainda!), e uns artigos do Silviano Santiago. Minhas neuroses continuam, agora em nível moderado. Beirando o controlado. Ainda com vontades súbitas de jogar tudo pro alto, e que tudo vá pro inferno, mas me segurando obstinadamente. Tudo vai dar pé. Pelo menos foi o que disse o tarô. Simmmmmm, JN botou cartas pra mim, e assustadoramente tudo(!!) bateu. E eu ainda, quero aprender sobre orixás. Sou filha de iemanjá, mmmfelho! Só quero energia boa e andar de branco e axé axé axé.

Mais detalhes sobre vida passional depois.
Agora fale de você, conte tudo!

Take care and
be very nice.

Beijo e saudade,
A.
(08.10.03)

ps.: vi Todas As Mulheres do Mundo e sim, você precisa ver!


quarta-feira, outubro 08, 2003


Honey baby,

Claro que conheço a versão da Gal, a letra é do Waly com o Jards né?! Sabe, por esses dias, me bateu uma puta curiosidade sobre o Waly e o Torquato Neto(especialmente), eles são ótimos, o Torquato é ótimo. Procura sobre ele. O atrativo biográfico (infelizmente), é que ele morreu cedo, um dia depois do aniversário de vinte e oito anos. Voltou de uma festa com a mulher — que foi dormir —, trancou-se no banheiro e ligou o gás. Foi encontrado morto no outro dia pela empregada. Deixou um bilhete de despedida que dizia: "Tenho saudade, como os cariocas, do dia em que sentia e achava que era dia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega!". Ah, temos que parar com esse fetiche mórbido!

- escuto cazuza sem parar -

Então nêgo, comprei o Italo falando da anac, e ele faz certinho. Sempre via todo mundo reclamando que acabou se falando mais da anac-personalidade do que da anac-escritora, pois pelo pouco que li do livro, ele faz tudo certinho, fala dela como escritora, do jeito como escreve, dos textos que vão além dos simples versos, da poeta-que-pensa. Ainda faz o background da situação, do que rolava na época, da ditadura, dos ‘malditos’...Só fica meio muito brega quando começa a falar dela, fica querendo soar poético, fica até constrangedor. Sabe, comecei a achar que essa coisa de ir sempre pelo lado da intimidade é bobagem. Sou totalmente biográfica, preciso sempre saber da vida dos escritores que gosto, mas tem que olhar mais adiante, não dá pra ficar só procurando intimidades nos textos, tem que ir mais fundo, procurar na linguagem, na literatura, o que se está comunicando ali. Se você fica procurando só as referências, os affairs, amigos, nunca se inicia. A anac faz você cair como patinho, mas pra depois levantar a cabeça e ver como é engraçada essa coisa de brincar com a intimidade. E o Pessoa já dizia isso há muito tempo, e eu nem prestava muita atenção, até repetia algumas vezes, mas sempre meio desleixada. Não há mesmo como o Pessoa. Pois a Ana adora isso, faz texto, diz que é diário, faz texto, diz que é carta. E você lá, como um otário, tentando achar links e histórias passionais. E eu nem queria que fosse assim, anac-rockstar, que você vira fã e precisa ter todos os cds, fotos, fofocas... mas ela me consome tanto, que eu não consigo que não seja assim. Mas agora decidi, quero ser como o Donne, um que sabe.

E pára com essa história de querer cartas escritas de caneta em folhas de caderno, ora, que é isso, cherie? A tecnologia é ótima, vamos aproveitar.

Ainda não to bem. Não consigo fazer coisas muito sociais-burocráticas. Não consigo continuar a auto-escola, não consigo ligar pra marcar hora, não consigo ligar pra dentista, não consigo mais fazer esse tipo de coisa. Tava tão ruim, que nem ligar pras amigas eu tava conseguindo. Essa semana as coisas melhoraram um pouco. Saí no sábado com vocês, na terça e na quarta com M. e B.. Descobri uma coisa bem óbvia, depois do sábado fiquei pensando sobre isso, dias bons são só dias bons, eles não dão garantia de nada, quando o dia acaba, a animação, a alegria acaba, você fica sem saber o que vai ser do próximo dia. Já dias ruins não, eles acabam, mas aquele gostinho ruim ainda fica por mais alguns dias. É tão óbvio isso, mas é dureza se dar conta. Eu não to agüentando viver de pequenas coisas. De pequenos momentos bliss. Não ta dando pé. Ando tão maluca, não consigo me entender direito, ao mesmo tempo que não quero fazer nada, quero ficar em casa olhando pro teto, eu quero também sair e movimentar a cidade, criar alguma coisa, inventar um lugar onde as pessoas possam ir e ver coisas legais e trocar informações, e mostrar o que andam fazendo, poesias, curtas, longas... eu quero me mexer, quero produzir, porque não acontece nada nessa cidade portuária, ou melhor, tudo que acontece ta ligado ao mangue.bitch, ou as velhas personalidades da cena. Isso é um saco! Raspas e restos de mangue não me interessam e eu já to cansada de tanta babaquice, tanta caretice, dessa eterna falta do que falar. Comentei isso com o D., e ele me contou aquela história ótima sobre a turma dele, que me deu mó gás pra fazer alguma coisa. Preciso, preciso e preciso! E a nossa turma é uma merda(!), pessoas geniais e sem iniciativa nenhuma. Magina se todo mundo se mexesse? Dias atrás falei com J. sobre isso, ela se queixa da mesma coisa, e ainda da inércia dos nossos professores universitários, que não produzem! Ninguém produz, shame shame... ninguém publica nada, só estudando os velhos cânones, e reproduzindo. Pra merda com isso. Eu quero opinião. Aliás, parece que todo mundo anda louco por isso, né?! Tanto é que o blog de Mone fez tanto sucesso. Causou tanta polêmica. Pode isso? um simples blog, causar tanta repercussão, a redação do JC toda, lia. A nossa estimadíssima Professora Doutora(rá), falava dele nas aulas de mestrado(!!). Isso é bizarro, é loucura. Tudo porque a gente não tem aqui quem dê opinião. Mó vergonha. Vamos fazer alguma coisa, vamos?!! Eu quero uma revista, já te falei. Quero alguma coisa parecida com as revistas Opinião e Beijo. Escrever sobre cinema, música e principalmente literatura. Falar também sobre comunicação, sociologia e assuntos acadêmicos, mas de uma forma bem leve. Na verdade, eu quero mesmo é o que rola por trás dessas revistas. Muita muita muita discussão intelectual (pq não?!), reuniões intermináveis e esse tipo de coisa. Porque não quero só aquela coisa virtual, que cada um escreve seu texto, manda pro mail de alguém, e pronto(que é o que acontece nas revistas virtuais), eu quero o backstage! Eu preciso das discussões!

Aiiii, não consigo gostar desses novos-escritores, que você e F. falavam. Peguei os links e dei uma olhada. Achei bem bobão, conversei com F. sobre isso, eu dizendo que era uma porcaria, ele dizendo que não era tão ruim assim. Oquei, não é tão ruim, mas é bobo, bestão, sem maturidade alguma. Como falei, eles são tipo os filmes do Kevin Smith, legais, inteligentes, cheios de sacadas pop, mas muito bobões, sabe? Quero uma literatura mais densa, mais, sei lá, adulta, crítica, sedutora. Fico puta quando começam a colocar palavrões no meio do texto, quase nunca soa natural, sem contar quando eles tentam ser sexys, mas sem classe, acabam escrevendo só um monte de putaria sem cabimento. Não fica henry miller ou anaïs, fica outra coisa qualquer, mais próximo de continhos da playboy. Eles também são jornalistas-ou-técnicos-de-informática demais. E precisam parar de querer soar como Bukowski, Fante, Burroughs e até o Nick Hornby, eu heim. Cresçam e apareçam! Fico agoniada com esses novos-escritores, mas pelomenos, eles tão produzindo.

E as minhas aulas que não começam, eu to ficando maluca. Eu quero estudar Antonio Candido, aliás, acho que essa semana já vou na Imperatriz e compro. São dois livros numa caixa, um é uma compilação de textos dele, e o outro é uma biografia. Por enquanto só me interesso pelos textos, mas vou pegar a caixa porque vai que... Quero estudar, deeeseeespeeero!! Preciso de um grupo de estudos também, eu sempre preciso de um grupo de estudos... mas é que eu gosto da interação, da troca de informação. É o melhor jeito de aprender as coisas. Quero movimento se não vou ficar cada vez mais em casa, trancada, e não saio mais nunca. E vai ser horrível. não gosto de ser anti-social...

Oh well..
Beijo pra você, benhê.
Vamos fazer alguma coisa, que além de ser pro bem geral dessa
nossa geração (rá), vai te trazer energia boa e fazer tu parar de pensar em
você-sabe-quem..
Certo?
Certíssimo!
Nafum!

(11(!!)/09/03)

ps.: Vi o documentário sobre poesia marginal no STV, e achei péssimo. Muito superficial, muito rápido. Chacal ta parecendo aqueles coroas cariocas que jogam futebol de areia com o Romário. E tem lá o Cep 20000, que por enquanto acho chato, mas que pode ser uma boa. É que poesia pra mim é uma coisa quietinha, pra ler só em casa, não é um espetáculo. Mas se tiver esse tipo de coisa no Café do Parque, eu quero ir!

ps2.: Ei, sobre as cartas-pra-ninguém, não pode ser prosa poética, tem interlocutor sabe? Você ta escrevendo pra alguém, pra uma pessoa só, mesmo que você não saiba exatamente pra quem. E prosa poética não é assim. não precisa ter um interlocutor, pode até não comunicar. Sei lá, não é prosa poética.

ps3.: Também não entendi direito o bilhete do Torquato. hah

Ps4(ufa).: Leia o Mário e o Bandeira! Isso é sério, é importantíssimo! Qual o problema guri, oq o colégio fez com sua cabeça?


quarta-feira, maio 14, 2003


Dearest,

Talvez você estivesse certa, ou melhor, te interpretar errado foi ato falho meu. A questão não é querer ser genial full time, isso até passa pela minha cabeça, mas a questão é o estilo. Tu fala com tanta certeza sobre o meu estilo, mas ando desconfiando que é tudo consolo, ou pior ainda, que eu te fiz pensar assim, meio que enganei, forcei, sei lá.. que estilo meu bem? Eu sou um furto! Com todo efeito! Eu incorporo tudo, sou só citações... e se isso é só característica neomoderna ou pós, eu não sei, mas faz tempo que não me sinto original. Então o piti foi insegurança mesmo, do tipo ‘nossa, então ela sabe que eu sou uma farsa’. Admito, claro, que é um drama só.. mas como não?!
Roubo tudo que é espelho.. frases, palavras, parágrafos, ritmos, livros inteiros.. estilos, vidas, idéias, sentimentos... não tenho mais pudor nenhum, nada é meu, nada é nacional! Eu sei que não é bem assim, mas ando má comigo. Agora estou sempre atrás de insights, me sinto uma farsa, de verdade. Tenho vontade de saber opiniões das pessoas sobre os escritos, e ao mesmo tempo uma insegurança excessiva, angustiada.
Eu queria ter um interlocutor fixo, ser bem melosa e acabar todos os escritos com ‘eu te amo’. Mas isso tá tão distante.. tenho vários interlocutores porque nada é estável e eu só tenho casos, e aí no fim das contas acabo ficando sem nenhum, e escrevo páginas e páginas de um narcisismo nauseante sem saber pra quem. Odeio não ter um personagem principal, quer dizer, odeio quando me faço de personagem principal. Parece análise, onde eu sento e saio falando tudo, com ou sem mistério. Ando me referindo como se fosse um problema literário.. acho que é só mesmo um jeito de esconder as coisas, você sabe que é solidão. Falo que preciso de interlocutor porque cansei de dizer que preciso de alguém, isso sempre soa meio chato...
E eu saio falando e nem pergunto como você está. Você está? Responde porque tu sabe que fico maluca com essa história de feedback me conta dos estudos... eu descobri que tenho alguma paixão misteriosa por Lukács. Tava reparando, todos os meus livros que falam dele, citam, sei lá.. o nome aparece sublinhado. Tu sabe que sempre quis ler, mas eu não sabia que era uma coisa tão obsessiva. Devo pegar ainda essa semana a ‘história da consciência de classe’, apesar de saber que eu devo largar no meio. Você sabe, não tenho mais tanta paciência pra marxismos. Mas bem, eu quero matar minha curiosidade, e saber duma vez porque ele irritou tanto os ortodoxos. Sabe que eu tenho preconceito com esses marxistas que levantam bandeira? Devia ter é vergonha de ser blank generation total, sem nenhum ideal, ou cheia deles mas sem conseguir me concentrar em nenhum. I´m so out of focus. Queria conseguir realizar todos os nossos projetos mirabolantes... ando me sentindo inútil também, dormindo demais, com preguiça demais.. eu espero que seja só uma fase, se virar característica eu me mato!
Bem, então, me conta tudo ta?
Ando com saudade!
Uma loucura todo esse questionamento pra saber se to ficando louca ou se tenho mesmo alguém pra escrever.. deve ser sintoma de loucura mesmo, inventar correspondentes...
Que seja.
Loucura chiclete e som!
(super cretina)

beijo.

PS.: recebeu o disco e o livro? Me fala oq achou..


quarta-feira, abril 09, 2003


Honey,

Quando a conversa fica pelo meio, manda um e-mail... é a nova máxima heim?! Mas eu vou continuar assim mesmo, sem teclinha de send...
E então, vinha reclamando muito do meu tom de diário, me achando stupid stupid stupid porque não consigo escrever nada que não seja assim, pessoal, umbiguista, narcisista, sem importância... ando me jogando na cara sabe? Tipo : ‘escuta aqui, tua dor não me importa. Estou cagando montes pras tuas memórias, pras tuas culpas, pras tuas saudades. As pessoas estão matando, morrendo, mandando matar, enlouquecendo, explodindo, se jogando, rezando, se fudendo e você fica aí pelos cantos choramingando o seu amor perdido. Foda-se o seu amor perdido. Foda-se esse rei-ego absoluto. Foda-se a sua dor pessoal, esse seu ninho mesquinho e fechado’, ando me repetindo isso again and again.
Queria escrever um romance bem grande, com histórias que se cruzam, mistérios, tipos esses que nossas mães lêem.. ou grandes aventuras très Jules Verne... mas então fui pra cama sem sono e acabei remexendo nos livros... peguei o Ovelhas Negras... tinha parado de ler tudo, andava ocupada com a faculdade, Habermas, Frankfurt, Eco, Jameson, Baudrillard... isso toma muito tempo, e acaba mais que um dia de trabalho numa mina de ouro onde não tem mais ouro. Mas continuando, peguei o Ovelhas Negras, abri em ‘lixo e purpurina’, ri do título afetado, e achei tudo muito legal... achei o tom de diário bem liberta-dor, sem brincadeira! Liberta dos clichês, da breguice, você pode falar o que quiser do jeito que quiser, e ainda pode inventar, afinal, não é só de realidade que se faz um diário, certo? Aliás, é exatamente o contrário. Então voltei a ficar feliz com minha mediocridade. Falo isso sem ataque nenhum, sem crise nenhuma, ao menos não aparente. São só constatações. Feeling stupid! Ando reclamando muito, reclamo até da minha cabeça, que anda uma bagunça.. sabe, ela não tem gavetinhas específicas para cada coisa, com um nome colado na frente, minha cabeça é um armário de adolescente-cabeludo-que-gosta-de-nirvana-e-ta-aprendendo-a-tocar-guitarra-escutando-sonic-youth(referências gratuitas, delícia de narcisismo idiota)... ou seja, uma bagunça! Cheia de roupa suja e velha e rasgada e um monte de coisa que não precisa mais estar lá... eu dava tudo por uma fachina, e por um armário novo, cheio de gavetinhas. Eu queria ser capricorniana!
Mas então, voltando ao Caio, como esse menino consegue botar essa violência toda? Fiquei com o ‘Creme de Alface’ na cabeça o dia todo. O barulho, a violência, a gratuidade, a sujeira, o sol, a amargura... é um dos melhores dele que eu já li... e continuo dizendo que ele é genial! E ainda, ele bebeu naquilo tudo também, Mansfield, Woolf, Doris Lessing... quer mais o quê? Escuta, mais uma vez, corre pro Caio!
Agora um beijo que tivesse um blue pra você, nosso chá das cinco acabou, tenho que terminar o trabalho sobre o ‘ponto de mutação’, aquele filme que já te falei milhões de vezes, e já cansei de te mandar alugar, e você nem nada. Então é isso. não falo mais.
Be nice sweetheart.




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